G1 Saude • 23/05/2026 07:01
Novo surto de Ebola na África: o que (não) mudou em uma década?
Entenda o Ebola em 7 pontos
Após dez anos do que foi considerado o surto de Ebola mais grave já registrado, a doença novamente avança com rapidez, agora na República Democrática do Congo. Em junho de 2016, a epidemia da África Ocidental foi declarada encerrada com 11.325 mortes e sete países com registros de contágio.
➡️Até o momento há, oficialmente, 84 casos confirmados da doença (82 na República Democrática do Congo e dois em Uganda), mas 750 casos são investigados e foram registradas 177 mortes suspeitas por Ebola. Oito óbitos pela doença foram confirmados.
O novo surto – dessa vez na África Central – mostra que, apesar da experiência global no enfrentamento da doença, a iminência de novos surtos é realidade e o cenário segue desafiador.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, dois fatores principais contribuíram para o novo surto, e se apresentam como obstáculos para manejo da doença:
O surto ser causado pela variante Bundibugyo, menos detectável pelos testes e sem vacina ou tratamento aprovados.
O contexto humanitário mais complexo, de guerra civil e de grandes deslocamentos populacionais.
Nesse contexto, a letalidade da nova variante é algo bastante preocupante, analisa Kleber Luz, médico infectologista da UFRN e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a elaboração de diretrizes estratégicas para prevenção e controle das arboviroses.
Ele alerta sobre a letalidade da variante, que parece ser ainda maior do que as anteriores.
"Esse surto de 2026 é um surto que afetou muitas pessoas e também está presente em mais de um país. Isso preocupa, a impressão que se tem é que se trata de um vírus de maior transmissibilidade", analisa o infectologista.
➡️Nesta reportagem abaixo, você entende:
Quais foram os avanços no enfrentamento da doença nos últimos anos
Detalhes sobre as dificuldades em conter os casos atuais de Ebola
Como as particularidades culturais e religiosas ainda são um entrave no combate à doença
Em que medida o Ebola é uma preocupação a nível internacional
De 2016 a 2026, o que mudou?
O enfrentamento de um grande surto de qualquer doença – como aconteceu com o Ebola na África Ocidental de 2014 a 2016 – deixa lições sobre como lidar com o vírus.
Para Rachel Soeiro, médica da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras que trabalhou na Guiné durante a epidemia de 2014, o principal ensinamento desse período é que a resposta ao Ebola deve se basear em um conjunto de ações, que continuam sendo aplicadas atualmente.
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